AD Rio Largo

A Pregação do Evangelho em Rio Largo

Homens como o Missionário Otto Nelson e sua esposa Edina Nelson foram enviados pelo Senhor para trazer o evangelho de Cristo Jesus para o Estado de Alagoas, na segunda década do século passado. Naquele tempo, o Senhor também os comissionava a trazer as boas novas da salvação para Rio Largo. O missionário Otto Nelson veio pessoalmente anunciar o evangelho de Cristo e ganhar as primeiras almas em Rio Largo.

Naquela época, já existia a presença da missão batista americana na cidade, e foi o irmão Cândido Lins da Igreja Batista de Rio Largo quem abrigou em sua casa o missionário Otto Nelson em sua primeira evangelização na cidade de Rio Largo. Conta-se que, não tendo uma cama extra em sua casa, o irmão Cândido Lins improvisou um leito em uma porta de madeira, e ali o missionário Otto Nelson passou sua primeira noite em Rio Largo, em vigília e oração, intercedendo junto ao Senhor pela salvação das almas em Rio Largo.

Houve muita perseguição à pregação do evangelho em Rio Largo, chegando-se ao cúmulo de se proibir o enterro de evangélicos no cemitério da cidade. Foi preciso, então, que o irmão Cândido Lins cedesse um terreno de sua propriedade, onde pudessem ser sepultados os evangélicos que faleciam. Esse cemitério era chamado de Cemitério do Seu Candinho. Hoje, em seu lugar, temos a Rua Cândido Lins, que recebeu o nome desse ilustre evangélico, que dorme com o Senhor.

Em 1947, o evangelho já havia sido pregado e aceito entre a população, tanto na cidade quanto nos engenhos e fazendas da região. A Assembleia de Deus se situava na Rua do Coqueiro, hoje Rua Vereador Jarbas Januário, onde funciona atualmente a Secretaria Municipal de Educação. Ali se reuniam alguns poucos crentes. Eram poucos em número, mas o fervor do pentencoste, a reverência, o temor ao Senhor e o desejo das coisas do céu eram buscados com intensidade.

Nas vigílias que eram realizadas no Tabuleiro do Pinto, os crentes iam e voltavam a pé para a cidade, e o Senhor se fazia presente, operando sinais e maravilhas. Como ainda não havia pastor residindo na cidade, eram enviados, pela igreja-sede em Maceió, nos fins de semana, obreiros auxiliares e às vezes pastores, que só retornavam depois do culto de domingo à noite.

Com o crescimento do rebanho, foi então enviado o pastor Antônio Buarque, de saudosa memória, para fixar residência no município. Deus abençoou grandemente o ministério do seu servo, logo foram abertos novos pontos de pregação em várias fazendas e engenhos, sendo estes trabalhos assistidos pelos obreiros de Rio Largo, que só podiam voltar para casa no dia seguinte aos cultos, devido às grandes distâncias.

O irmão José do Egito foi então separado para o diaconato, e após para o presbitério com ação pastoral em Rio Largo, função que ocupou por dezessete anos, de 1961 a 1978. Em sua gestão foi construído o templo da Rua Dr. Batista Acioly, 91. Obra que foi levada com grande sacrifício, pois os crentes ainda eram poucos. Foi o engenheiro Fernando Elias da Rosa Oiticica, que também foi prefeito de Rio Largo, quem concebeu o projeto do templo, realizando este serviço voluntariamente. Como o terreno era muito pantanoso, foi necessário fazer escavações com profundidade três vezes superior ao previsto. Este trabalho foi executado com grande perigo pelos irmãos voluntários, alguns até adolescentes, que hoje são avós. Mas Deus prosperou esta obra, e o templo foi inaugurado, possuindo até um batistério, no dia 07 de setembro de 1970.

Deus continuou abençoando a obra em Rio Largo, e, em pouco tempo, o Senhor salvou centenas de riolarguenses, e batizou muitos com o Espírito Santo e com fogo. Muitos anos mais tarde, foi enviado o pastor Levino Barbosa, sendo logo substituído pelo pastor Luiz Pereira Lima, no ano de 1978. Deus continuou prosperando a obra, e em pouco tempo centenas de pessoas foram salvas e batizadas com o Espírito Santo, multiplicando assim o rol de membros da Assembleia de Deus em Rio Largo.

Quando foi enviado para o campo missionário nos Estados Unidos, o pastor Luiz Pereira Lima foi substituído pelo pastor Albério Alves de Farias, que anos depois foi substituído pelo pastor Selerino e depois pelo pastor Alexandre Teixeira.

Voltando do campo missionário, o pastor Luiz Pereira Lima foi novamente enviado para Rio Largo, onde foi sempre muito querido, trabalhando por muitos anos. Neste tempo, lançaram as fundações do novo templo-sede do município, situado hoje na Rua José Antônio da Silva, 680, no centro da cidade, cujo terreno, antes pertencente à companhia Alagoana de Fiação e Tecidos, foi doado ao município de Rio Largo, e depois cedido para a Igreja Assembleia de Deus por iniciativa do então prefeito Dr. Mário Augusto Vilar Torres.

Também iniciou a evangelização no Rádio, através do Programa Só Cristo Salva, transmitido durante muitos anos pela Rádio Clube de Rio Largo AM 1020 KHz. Neste programa, que era apresentado pelo irmão Edimilson Marinho, o pastor Luiz Pereira Lima pregava a mensagem da salvação para muitos lares alagoanos.

Amante da obra social, fundou duas creches de atenção integral à criança: a Creche Maria José Moura em Lourenço de Albuquerque e a Creche Pastor José do Egito, no Tabuleiro do Pinto, através do Centro de Assistência Social da Assembleia de Deus de Rio Largo (CASADRIL), fundado em sua gestão em 12 de janeiro de 1982.

Vindo o pastor Claudionor substituí-lo, logo ficou enfermo, mas, mesmo assim, deu tudo de si até os últimos dias em que permaneceu conosco. Aprouve a Deus levar-lhe para a glória eterna, para um descanso bem merecido após muitos anos de serviço no campo missionário.

Coube então ao pastor e missionário Sérgio Bastian conduzir o povo de Deus em Rio Largo, substituindo o pastor Claudionor, de saudosa memória. Em sua gestão foi iniciada a construção do atual templo-sede do município, cujos trabalhos de acabamento estão em prosseguimento na gestão do pastor Arnóbio Tavares de Lima.

Deus tem abençoado grandemente o ministério do pastor Arnóbio, através da realização do grande projeto de evangelização do município de Rio Largo: o Projeto Vida, com a palavra de ordem: “O mundo para o Senhor Jesus, a começar por Rio Largo”.

Através deste projeto, diariamente os lares de Rio Largo recebem a mensagem de salvação do evangelho, que é transmitido através dos programas veiculados pelas Rádios Comunitárias. Os lares são também alcançados diariamente pelo evangelismo dos missionários voluntários do projeto A Hora do Missionário.

Anualmente, no período do carnaval, o Projeto Vida realiza em Rio Largo o maior evento evangelístico da região, que já vai em sua oitava edição, o grande congresso da Assembleia de Deus de Rio Largo, na quadra de esportes Luis Alves da Silva, que gentilmente tem sido cedida pela Administração Municipal, e onde cerca de oito mil pessoas se reúnem durante três dias para adorar a Deus na beleza de Sua Santidade, entoar louvores ao Seu Santo Nome, receberem dádivas e maravilhas do Senhor, sendo a maior delas, a Salvação em Cristo Jesus, pois ali é proclamado ao mundo que só Cristo pode Salvar e transformar o homem Pecador!! Através destes congressos, o Senhor tem realizado grandes e espantosos milagres de cura divina e libertação de almas, para a glória do Seu Santo Nome.

Hoje, após 35 anos de inauguração do primeiro templo-sede em Rio Largo, e já no marco do 95º Aniversário de Fundação da Assembleia de Deus em Alagoas, mesmo o templo-sede atual, é pequeno para comportar o numeroso povo de Deus nesta cidade. São quase 5 mil pessoas, distribuídas em vinte e quatro congregações em todo o município.

Aspecto histórico, social e econômico

A primeira sede do município de Rio Largo foi Santa Luzia do Norte. Diz-se que Jerônimo de Albuquerque, irmão de D. Brites, foi quem primeiro pisou o solo do município, quando da guerra de extermínio aos índios Caetés.

Contam, também, que teria tido aquela localidade o nome de “OUTEIRO DE SÃO BENTO”, por haver existido um convento religioso da Ordem Beneditina. Santa Luzia do Norte, um dos mais antigos aglomerados urbanos de Alagoas, chegou a ser, nos tempos coloniais e, até mesmo, anos depois, o mais importante povoado das margens da lagoa do norte e do Rio Mandaú.

No ano de 1633, durante a guerra holandesa, os “batavos” incendiaram a Alagoana, hoje Marechal Deodoro, e marcharam contra Santa Luzia do Norte, encontrando tenaz resistência por parte dos comandados de Antônio Lopes Filgueiras, que defenderam valentemente a povoação.

A estrada de ferro construída no Estado não passava em Santa Luzia do Norte, o que contribuiu para sua decadência, ao passo que se desenvolvia a povoação de Rio Largo, à margem da estrada e a pequena distância da capital. Daí resultou a transferência da sede do município de Santa Luzia para Rio Largo.

O nome Rio Largo se originou de um engenho de açúcar, existente no local onde o Rio Mundaú apresenta mais largura, surgindo daí o hábito de dizer: ”Lá onde o rio é largo”, o que tornou o engenho conhecido como Rio Largo.

Nos fins do século XIX, duas Companhias (fundidas posteriormente na Companhia Alagoana de Fiação e Tecidos) adquiriram as terras do Engenho Rio Largo e do Engenho Cachoeira do Regente, limítrofe, e montaram duas fábricas para industrialização de fibras têxteis. Para tanto, aproveitaram-se das facilidades de energia hidráulica, decorrentes do aproveitamento de pequenas cachoeiras formadas pelo rio Mundaú. Por outro lado, a linha férrea passando na localidade, muito contribuiu para o desenvolvimento do centro industrial. Assim floresceu Rio Largo.