EBD | Lição Jovem – Lição 12 – A Cura da Mulher que Tinha um Fluxo de Sangue

Fonte: Portal da Escola Bíblica Dominical

Introdução
I-Uma Atitude Ousada de Alguém que Padecia
II-A Virtude que “Saiu” do Senhor
III-A Fé que Salvou uma Mulher
Conclusão

Professor(a), a lição deste domingo tem como objetivos:
Traçar a trajetória do Mestre em face da perseguição dos adversários religiosos;
Estimar as pessoas “invisíveis” e as ações que devem ser realizadas no sábado;
Comparar o bem realizado pelo Mestre com a maldosa decisão dos adversários religiosos.

Palavras-chave: Milagre.

Para ajudá-lo(a) na sua reflexão, e na preparação do seu plano de aula, leia o subsídio de autoria do pastor César Moisés Carvalho:

Como parece ser típico de Marcos, trata-se de mais um episódio em estilo “sanduíche”, ou mais tecnicamente, “intercalação”1, assim como o milagre que foi abordado no capítulo dez (cf. Mc 2.1-12), pois o relato da revivificação da filha de Jairo (Mc 5.21-24,35-43) é interrompido pela cura da mulher com hemorragia (5.25-34). Foi durante o trajeto para a casa deste homem que aconteceu de estar entre a multidão uma mulher que há doze anos padecia de uma hemorragia inestancável (v.25). Esta havia empregado todas as suas economias com a medicina da época, porém, não obtivera nenhum êxito, antes, seu estado de saúde tornara-se cada vez pior (v.26). Tal informação indica que além de padecer com a doença, esta mulher também havia empobrecido, tornando sua situação ainda mais grave. Há semelhanças e contrastes nos dois episódios, Jairo, por ser um dos principais da sinagoga, provavelmente é alguém abastado (vv.22,36,38), enquanto a mulher hemorroíssa é pobre (v.26). A filha de Jairo tem apenas doze anos, portanto, está na pré-adolescência (Lc 8.42), ao passo que a mulher do fluxo de sangue padece, há exatos doze anos do mal que a aflige (v.25). Xavier Alegre, citando P. Mourlon Beernaert, afirma que a presente perícope, dentro do plano literário de Marcos, está situada num contexto de estrutura concêntrica que fora precedido por uma “jornada de parábolas” cujo objetivo era desvelar “o mistério do Reino” (4.1-34), isto é, através de “palavras”, ao passo que a partir de então, ou seja, de 4.35 até 5.43, apresenta-se os “gestos poderosos de Jesus”, evidenciando assim “o poder do Reino” que se mostra em “atos”2.  Assim, apesar de os sinóticos também relatarem o episódio (Mt 9.20-22; Lc 8.43-48), em Marcos, os “detalhes na descrição dos dois milagres [da mulher e da filha de Jairo] demonstram a importância que o evangelista dá ao ensinamento de Jesus por meio de ações”3.  O Evangelho de Jesus Cristo vai sendo desvelado, não apenas através do alegre anúncio, mas sobretudo com a verdade de que o Reino de Deus se iniciara (Mc 1.1,15) e a prova disso é que pessoas são curadas e muitas, depois de mortas, são trazidas novamente à vida.

O texto diz que a mulher veio por detrás do Senhor e “tocou em sua vestimenta” (v.27).Tal atitude de “tocar” na orla da veste de Jesus não é estranha, pois logo após o milagre da cura do homem que tinha uma das mãos mirrada, Marcos informa que o Senhor “disse aos seus discípulos que lhe tivessem sempre pronto um barquinho junto dele, por causa da multidão, para que o não comprimisse, porque tinha curado a muitos, de tal maneira que todos quantos tinham algum mal se arrojavam sobre ele, para lhe tocarem” (3.9,10; sem grifos no original). Mais à frente, após a cura da mulher hemorroíssa (vv.28,29), o evangelista relata, que “onde quer que [Jesus] entrava, ou em cidade, ou em aldeias, ou no campo, apresentavam os enfermos nas praças e rogavam-lhe que os deixasse tocar ao menos na orla da sua veste, e todos os que lhe tocavam saravam” (Mc 6.56; sem grifos no original). Portanto, não era estranho o gesto da mulher. Todavia, é preciso lembrar que, conforme Jesús Bravo, citado por Xavier Alegre, “segundo a Lei da Pureza, Jesus ficou impuro por ter sido tocado pela impura e por ter tocado a menina morta, e se converte em transmissor da contaminação ritual e excluído da presença de Yahvé enquanto não se purificar”, pois “se não o fizer, deve ser apagado da assembleia de Israel”4.  Tal lembrança, remete às reflexões críticas já feitas por Castillo, de que “Jesus não deu importância alguma às minuciosas e complicadas normas sobre a pureza ritual (Mc 7,1-7)”5.  Juan Antonio Aznárez Cobo, diz a respeito desse episódio, que “Jesus, como em outros casos, nem sequer leva em consideração a infração”.6  Tal posição por parte de Jesus fica evidente desde a realização do primeiro milagre feito pelo Senhor, quando as talhas reservadas para a purificação dos judeus foram utilizadas para uma finalidade completamente oposta e cuja ordem partiu de Jesus (Jo 2.1-12). Da parte da mulher, porém, tal questão era vista de forma completamente restritiva, visto que “esse tipo de enfermidade implicava para uma mulher judia a impossibilidade de entrar no Templo e de participar nas festas religiosas, pois era impura do ponto de vista do culto”, conforme pode ser visto em Levítico 15.25 e Ezequiel 36.17, onde “o fluxo de sangue é considerado imagem do pecado”7.  Portanto, o próprio fato de ela imiscuir-se em meio à multidão já era algo extremamente significativo e audacioso, por isso mesmo, o seu medo diante da pergunta do Senhor acerca de quem o tocara (v.30).

É importante retornar ao fato de que Jesus percebe claramente que dEle “saíra” virtude (v.30a), isto é, “força” ou “poder”. Tal virtude não lhe é apenas latente, mas evidente e conhecida dos escritores neotestamentários, pois ela não era um acessório, mas um instrumento a serviço do Pai no cumprimento do ministério terreno do Senhor (Lc 6.19). Ao discursar na casa de Cornélio, o apóstolo Pedro disse que Deus “ungiu Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude” e que por isso o Mestre “andou fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo” (At 10.38). O mesmo Lucas, referindo-se a Jesus, registra na narrativa paralela que trata da cura do paralítico de Cafarnaum, que “a virtude do Senhor estava com ele para curar” (Lc 5.17b). Portanto, a virtude que a mulher “extraíra” de Jesus, não se caracteriza como um ato reprovável, antes deve ser vista como a apropriação legítima de um poder que se encontrava à disposição dos que dele tinham uma clara e real necessidade. Contudo, os comentaristas são acordes no sentido de dizer que a intenção de Marcos pode ser colocar em evidência, com estes dois milagres, algo comum a ambos, ou seja, “o crescimento na fé salvífica”8.  Para este mesmo autor, o fato de Jesus perguntar “quem foi que o tocou, enquanto sabe que uma força de cura saiu dele”, somada à resposta banal dos apóstolos (v.31) que, surpreendentemente, parecem não entender o porquê de Jesus continuar “procurando com o olhar aquela que o tocou de maneira salvífica” (v.32), sugere que tais “elementos podem deixar intuir a mensagem que Marcos pretende comunicar”, isto é, “não é a confiança num gesto mágico que pode salvar, mas o encontro pessoal com Jesus mediante a fé”. Assim, a “mulher que tinha tentado alcançar a cura às escondidas obtém salvação mediante a sua fé explícita” (v.33), pois é “a palavra eficaz de Jesus: A tua fé te salvou, que transforma o gesto da mulher em fé salvífica, cf. 10,52”.9  No entendimento de J. Delorme, “manifestando-se a Jesus, a mulher saiu de uma fé ainda primitiva, misturada com elementos de magia, e caminhou para uma fé plena, que é uma relação pessoal com Jesus salvador”.10

Portanto, o que a mulher experimentou, no momento da cura, já foi o início do que o Senhor finalmente confirmou ao dizê-la para ir em paz, pois a sua fé a salvara (v.34). Na verdade, o simples fato de se pensar em ir ao encontro de Jesus significa confiança. Em se tratando dEle e do momento histórico em que vivera, diz respeito a confiar em Alguém cuja reputação não era unanimidade, pois enquanto alguns o reconheciam como vindo de Deus, outros o achavam um enganador e charlatão. Felizmente, a mulher depositara sua fé na Pessoa certa e, por isso, não apenas recebeu a restauração que a tornou pura, como também a salvou. Finalizando esse capítulo é inevitável contornar as perguntas: E atualmente, o mesmo princípio é válido? As pessoas que acorrem às igrejas a fim de “apenas” receber a cura para sua enfermidade, mas não querem nada sério com Deus, serão “salvas” mediante a cura? Como lidar com tal questão? Inicialmente é preciso entender que há, segundo Berger, “dois tipos de relatos nos quais é pronunciada a frase ‘Tua fé te salvou’”.11  No primeiro deles, crê-se que “Deus é palpável em Jesus, o contato físico torna-se importante; e mais o contato pode tornar-se a expressão integralmente válida desta fé (Mc 5,34; Lc 7,50)”, posto que o ato de crer aqui “significa aceitar a presença salvífica de Deus em Jesus”. Uma vez que ao se tomar essa decisão, tal confiança significa uma aceitação de Jesus por entender que ao fazê-lo aceitava-se a Deus, recebia-se a cura e, juntamente com ela, o perdão dos pecados, ou seja, nesse caso o “milagre leva, em sua expressão visível, à cura abrangente do paciente”.

Contudo, conforme Berger, o segundo tipo de relato em que aparece a frase “Tua fé te salvou”, pode ser tomada de um exemplo conhecidíssimo ― a cura dos dez leprosos ―, relato que se encontra em Lucas 17.11-19. Conforme se sabe, dez leprosos são curados, e isso podia ser confirmado pelo sacerdote, mas apenas um retornou para “agradecer” a Jesus e assim “conferiu a honra a Deus, ou seja, por sua exaltação jubilosa da obra divina, ele optou por Deus” e, só, “então, abriu-se o caminho no qual foi salvo por meio de sua fé”12.  Em termos diretos, tal “significa que, em contraste com o primeiro grupo de textos, neste último grupo ainda não se obtém coisa alguma ao nível do ser purificado”, pois apenas “a gratidão e a confissão que glorificam a Deus constituem a fé que, agora sim, salva”.13  Para o mesmo autor, o “que sobressai é que em Lucas 17 a fé não significa, ainda, uma confissão cristã diante de Jesus”, contrariamente, “o samaritano glorifica a Deus diante da ação que tem lugar por meio de Jesus”.14  Assim, “enquanto os outros leprosos ficam longe de Jesus, o samaritano, agora curado e agradecido, vem à presença de Jesus a fim de jogar-se aos seus pés (e tocar seu joelho)”, ou seja, “a distancia em relação a Jesus foi superada”. Apenas após tal “distância ter sido superada, passa a valer a sentença ‘Tua fé te salvou’” e, por isso mesmo, neste particular, “Lucas 17 encontra-se em conformidade com os textos do primeiro grupo”, pois igualmente naqueles, “a frase ‘Tua fé te salvou’ só se tornava possível quando a pessoa em questão achegava-se a Jesus ou simplesmente o tocava”. A diferença encontra-se “apenas que, no caso de Lucas 17, a distância em relação a Jesus era maior (por causa da lepra, que aqui certamente significa a impureza em geral), precisando, por causa disso, ser superada só após a passagem por duas etapas”.15  O que se conclui, é que o recebimento da cura, ainda que interesseira, pode até mesmo ocorrer, mas a salvação só será uma realidade para aqueles que decidirem por seguir ao Senhor, devotando-lhe a vida que Ele mesmo deu para que a pessoa pudesse desfrutar.

*Adquira o livro do trimestre de autoria de CARVALHO, César Moisés. Milagres de Jesus: A Fé Realizando o Impossível. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2018.

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Lidiane Santos

Correspondente pela sede desde 2013. Formada em serviço social e especialista em gestão pública municipal. Voluntária do Centro de Assistência Social da Assembleia de Deus em Rio Largo - Casadril.